"O Andarilho" - (Pag. 2)
Já se passara anos e ele nunca criara raízes em lugar nenhum: um simplório andarilho, sem passado. Vestido com roupas batidas e velhas, ele sempre arranjara um jeito de se virar pelos vilarejos e cidades que chegava, seja um trabalho ali, um lugar para dormir aqui e outro para tomar banho acolá.
Destino desconhecido, mas ele preferia assim.
Mas aí ele se encontrou com a garota. Foi algo que ele não pôde explicar: a sensação de ser realmente notado por alguém não lhe era palpável.
E então, enquanto andava pela calçada, uma linda menina o parou e entregou-lhe uma flor. Ele ficou enfeitiçado por aqueles olhos castanhos, aqueles lindos olhos castanhos que o fitava, com um sorriso. A menina o abraçou e ele fez o mesmo.
Movido por um sentimento tranquilizador e potente ao mesmo tempo, ele se pôs a seguir a garota, até que chegou em sua moradia, uma mansão de dois andares.
Ficou a observar a destemida menina entrar em seu lar. Algum tempo depois, tomado de coragem, o andarilho tocou a campainha da mansão...

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